sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Reforma Tributária GMAD
20 de agosto de 2026 às 09:05 - Atualizado em 3 de setembro de 2026 às 09:08

Reforma Tributária para marceneiros: por que sua marcenaria precisa se preparar agora

A Reforma Tributária já começou a mudar a forma como empresas brasileiras lidam com impostos, notas fiscais, formação de preços e relacionamento…

Por: GMAD GMAD

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A Reforma Tributária já começou a mudar a forma como empresas brasileiras lidam com impostos, notas fiscais, formação de preços e relacionamento com fornecedores e clientes.

E isso também diz respeito às marcenarias.

Muitos marceneiros ainda enxergam a Reforma Tributária como um assunto distante, restrito a grandes empresas ou ao departamento contábil. Mas essa percepção pode trazer problemas.

Uma marcenaria compra MDF, ferragens, acessórios, máquinas, ferramentas, cola, fitas de borda e diferentes insumos. Ao mesmo tempo, vende móveis, projetos e, dependendo da operação, presta serviços de montagem e instalação.

Ou seja: está inserida em uma cadeia de consumo que será diretamente impactada pelo novo sistema tributário.

A questão, portanto, não é apenas “quanto imposto minha marcenaria vai pagar?”.

É também:

Como vou formar meus preços? Como ficam os créditos tributários? Preciso mudar meu sistema? Minha nota fiscal estará correta? Meus fornecedores estão preparados? E como tudo isso pode afetar minha margem?

Essas são perguntas que o marceneiro precisa começar a fazer agora.

O que é a Reforma Tributária e o que muda para as empresas?

A Reforma Tributária do Consumo está substituindo gradualmente parte dos atuais tributos sobre bens e serviços por um novo modelo.

Entre as principais mudanças estão a criação da CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal, e do IBS — Imposto sobre Bens e Serviços, de competência estadual e municipal. Também foi criado o Imposto Seletivo para determinados bens e serviços.

A transição é gradual e vai até 2033.

2026 já é um ano de implementação e adaptação, com CBS e IBS integrando o período de testes do novo modelo. A substituição dos tributos atuais acontecerá progressivamente nos próximos anos.

Isso significa que a Reforma Tributária não é apenas algo para acompanhar no futuro.

Ela já entrou na rotina das empresas.

Por que a Reforma Tributária é importante para uma marcenaria?

Porque o imposto não está isolado da operação.

Ele interfere no preço do material que você compra, no custo de produção, no preço que apresenta ao cliente e, consequentemente, na margem que sobra para a empresa.

Imagine uma marcenaria que trabalha com projetos personalizados.

Ela compra:

  • chapas de MDF;
  • ferragens;
  • puxadores;
  • dobradiças;
  • corrediças;
  • fitas;
  • colas;
  • acessórios;
  • ferramentas;
  • máquinas e equipamentos.

Depois utiliza esses materiais para produzir o móvel e vende o projeto para o consumidor.

Quando a forma de tributação dessa cadeia muda, o custo real de produzir aquele móvel também pode mudar.

Por isso, acompanhar a Reforma Tributária é uma questão de gestão, e não apenas de contabilidade.

A Reforma Tributária pode mudar o preço dos materiais da marcenaria?

Pode.

Mas isso não significa automaticamente que todos os materiais ficarão mais caros ou mais baratos.

O impacto vai depender de fatores como tributação da cadeia, aproveitamento de créditos, fornecedores envolvidos, regime tributário da própria empresa e características de cada operação.

Por isso, uma das atitudes mais perigosas para uma marcenaria é esperar a mudança acontecer para somente depois analisar os preços.

O marceneiro precisa conhecer cada vez melhor:

quanto custa comprar, quanto custa produzir, quanto paga de tributos e qual margem realmente sobra em cada projeto.

Quanto mais organizada estiver essa conta, menor será o risco de absorver aumentos de custos sem perceber.

E o Simples Nacional? A marcenaria continuará podendo utilizá-lo?

A Reforma Tributária não extinguiu o Simples Nacional.

Essa é uma dúvida importante porque uma parcela significativa das marcenarias brasileiras opera nesse regime.

Porém, a existência do Simples não significa que nada mudará para essas empresas.

A nova sistemática de IBS e CBS cria situações que tornam o planejamento tributário e comercial ainda mais relevante, principalmente quando a marcenaria vende para outras empresas.

Além disso, o cronograma oficial prevê que os documentos fiscais eletrônicos dos contribuintes do Simples Nacional passem a incorporar as novas exigências relacionadas à Reforma a partir de 1º de janeiro de 2027, com leiautes previstos para publicação ainda em 2026.

Portanto:

estar no Simples Nacional não é motivo para ignorar a Reforma Tributária.

Créditos tributários: por que o marceneiro precisa entender esse assunto?

Um dos conceitos mais importantes do novo modelo é o sistema de créditos.

De maneira simplificada, o modelo de IBS e CBS busca reduzir o chamado efeito cascata, permitindo que, nas situações previstas pela legislação, o imposto pago em etapas anteriores da cadeia gere créditos que possam ser considerados na etapa seguinte.

E isso pode mudar a relação entre empresas.

Considere, por exemplo, uma marcenaria que atende:

  • construtoras;
  • incorporadoras;
  • arquitetos;
  • redes comerciais;
  • hotéis;
  • escritórios;
  • outras empresas.

Nesse mercado B2B, a maneira como a operação gera créditos para o cliente pode passar a ter relevância comercial.

Por isso, no novo cenário tributário, escolher um fornecedor apenas pelo preço da mercadoria pode deixar de contar toda a história.

Será necessário entender também a tributação daquela operação e seus efeitos financeiros.

Essa análise deve ser realizada junto à contabilidade da empresa, levando em consideração o regime tributário e cada tipo de operação.

A formação de preço da marcenaria pode precisar mudar

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

Muitas pequenas marcenarias ainda formam preço desta maneira:

material + mão de obra + uma margem estimada.

Com a Reforma Tributária, trabalhar dessa forma pode se tornar ainda mais arriscado.

O preço de um móvel precisa considerar uma série de elementos:

custo do MDF, ferragens, acessórios, terceirizações, desperdícios, transporte, mão de obra, estrutura da empresa, impostos e margem de lucro.

Se algum desses componentes mudar e a empresa continuar utilizando a mesma tabela de preços, existe o risco de continuar vendendo bastante e ganhando menos em cada projeto.

Por isso, a Reforma Tributária reforça a importância de profissionalizar a precificação.

Minha marcenaria precisa mudar a emissão de notas fiscais?

Esse é outro ponto que merece atenção.

A implementação da Reforma envolve alterações nos documentos fiscais eletrônicos para contemplar informações relacionadas a IBS e CBS.

Em 2026, a Receita Federal já estabeleceu novas orientações e cronogramas para adaptação dos documentos fiscais. Para os contribuintes do Simples Nacional, a obrigatoriedade dos documentos contemplando as novas regras está prevista para 1º de janeiro de 2027.

Isso significa que o empresário precisa verificar se:

seu sistema de emissão de notas será atualizado, sua contabilidade está acompanhando as mudanças e os cadastros dos produtos e operações estão corretos.

Deixar isso para a última hora pode provocar erros justamente quando a nova exigência entrar em funcionamento.

2026 é um ano importante para o marceneiro se preparar

O cronograma da Reforma Tributária foi pensado como uma transição.

Em 2026 ocorre o período inicial de testes de CBS e IBS. Segundo a Receita Federal, estão previstas alíquotas-testes de 0,9% para CBS e 0,1% para IBS, com mecanismos específicos de compensação e regras para quem cumprir as obrigações acessórias.

Nos anos seguintes, a mudança avança.

Entre 2029 e 2032 acontece a substituição progressiva de ICMS e ISS pelo IBS. Em 2033, o novo modelo deverá estar integralmente implementado, com a extinção de ICMS e ISS.

Parece distante?

Para uma empresa, não é.

Preço, fornecedores, sistemas, contratos e processos internos não são alterados de um dia para o outro.

A transição tributária também precisa ser uma transição de gestão.

O que uma marcenaria deve fazer para se preparar para a Reforma Tributária?

Não é necessário transformar o marceneiro em especialista tributário.

Mas o empresário precisa saber quais perguntas fazer.

Um bom ponto de partida é conversar com o contador e revisar cinco áreas:

1. Regime tributário
Entender se o enquadramento atual continua adequado para o tamanho e para o perfil dos clientes da marcenaria.

2. Precificação
Mapear todos os custos envolvidos nos projetos e entender a participação dos tributos na composição do preço.

3. Fornecedores
Avaliar não apenas preço, mas documentação, formalização e efeitos tributários das compras.

4. Sistema de gestão e emissão de notas
Confirmar se os sistemas utilizados pela empresa estão sendo preparados para os novos documentos fiscais.

5. Fluxo de caixa e margem
Simular cenários antes que as mudanças se tornem definitivas.

Reforma Tributária também pode afetar a competitividade da marcenaria

Existe ainda uma dimensão estratégica.

Duas marcenarias podem produzir móveis muito semelhantes e possuir estruturas tributárias e financeiras completamente diferentes.

Uma empresa que entende seus custos pode chegar ao cliente sabendo exatamente até onde consegue negociar.

Outra pode oferecer desconto acreditando que ainda possui margem quando, na prática, está reduzindo o próprio lucro.

Com o novo sistema, essa capacidade de entender os números tende a ficar ainda mais importante.

Por isso, a Reforma Tributária deve ser encarada não apenas como uma obrigação fiscal, mas como uma oportunidade para o marceneiro profissionalizar sua gestão.

Perguntas frequentes sobre Reforma Tributária para marcenarias

A Reforma Tributária vai atingir pequenas marcenarias?

Sim. Mesmo empresas pequenas podem ser afetadas por mudanças em documentos fiscais, preços de fornecedores, formação de custos, créditos tributários e relações comerciais. O impacto específico depende do regime tributário e da operação da empresa.

O Simples Nacional vai acabar com a Reforma Tributária?

Não. O Simples Nacional permanece, embora a nova sistemática de IBS e CBS introduza regras que precisam ser analisadas por empresas enquadradas nesse regime.

A Reforma Tributária começa quando?

A implementação já está acontecendo. 2026 é o ano inicial de testes de IBS e CBS, e a transição ocorrerá progressivamente até 2033.

Minha marcenaria precisa trocar o sistema de notas fiscais?

Não necessariamente trocar, mas precisa confirmar se o sistema atual será atualizado para atender aos novos leiautes e exigências dos documentos fiscais eletrônicos.

O preço dos móveis vai aumentar com a Reforma Tributária?

Não existe uma resposta única. O efeito dependerá da cadeia de fornecimento, regime tributário, créditos aproveitáveis, custos da empresa e composição de cada operação.

Preciso conversar com meu contador sobre a Reforma Tributária?

Sim. O contador é fundamental para analisar como as novas regras atingem especificamente o regime, faturamento e operações da sua marcenaria.

Quem se prepara antes toma decisões melhores

Durante muito tempo, impostos foram tratados por muitos pequenos empresários como algo que simplesmente precisava ser enviado para o contador no fim do mês.

A Reforma Tributária deixa ainda mais claro que essa visão precisa mudar.

Tributo conversa com compra, venda, preço, fornecedor, margem e planejamento.

Por isso, o marceneiro não precisa decorar leis ou conhecer cada detalhe do IBS e da CBS.

Mas precisa acompanhar o que está mudando.

Precisa perguntar.

Precisa conferir os números.

E, principalmente, não pode descobrir o impacto da Reforma Tributária somente depois que ele aparecer no caixa da marcenaria.

Preparar-se agora é a melhor maneira de atravessar essa mudança com mais segurança e transformar uma obrigação tributária em uma oportunidade para profissionalizar ainda mais o negócio.

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