sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Reforma Tributária GMAD
27 de agosto de 2026 às 09:14 - Atualizado em 3 de setembro de 2026 às 09:16

Riscos de não estar preparado para a Reforma Tributária: o que o marceneiro precisa saber agora

A Reforma Tributária não é um assunto apenas para grandes empresas, contadores ou departamentos financeiros. Ela também faz parte da realidade das…

Por: GMAD GMAD

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A Reforma Tributária não é um assunto apenas para grandes empresas, contadores ou departamentos financeiros.

Ela também faz parte da realidade das marcenarias.

Nos próximos anos, o Brasil passará por uma mudança importante na forma como tributos sobre o consumo são cobrados, registrados e destacados nas operações comerciais. IBS e CBS passam a fazer parte desse novo cenário, com uma transição que já está em andamento e exigirá adaptações em documentos fiscais, sistemas, formação de preços e processos internos.

Para o marceneiro, isso significa uma coisa:

não entender o que está mudando pode gerar riscos para o negócio.

Não é necessário se tornar um especialista tributário. Mas é importante conhecer os impactos, conversar com o contador, acompanhar as mudanças e preparar a empresa com antecedência.

Porque a Reforma Tributária pode chegar à marcenaria por vários caminhos: no preço do MDF, nas ferragens, nos fornecedores, nas notas fiscais, na precificação dos móveis e até na margem de cada projeto.

Por que o marceneiro precisa acompanhar a Reforma Tributária?

Uma marcenaria participa de uma cadeia econômica muito maior do que parece.

Antes de entregar um móvel, ela compra diversos itens:

MDF, ferragens, dobradiças, corrediças, puxadores, fitas de borda, colas, ferramentas, equipamentos e serviços.

Depois, todos esses custos entram na composição do projeto que será vendido ao cliente.

Quando a lógica tributária da cadeia muda, pode mudar também a forma como esses custos chegam à empresa.

Por isso, pensar que “o contador vai resolver tudo” pode ser um erro.

O contador terá um papel essencial, mas o proprietário da marcenaria continuará precisando tomar decisões sobre:

quanto cobrar, onde comprar, qual margem aplicar, quais fornecedores utilizar e como organizar o caixa da empresa.

A informação passa a ser uma ferramenta de gestão.

Qual é o risco de ignorar a Reforma Tributária?

O maior risco talvez seja descobrir as mudanças tarde demais.

Quando uma empresa acompanha o processo com antecedência, ela consegue simular cenários, conversar com seus parceiros e realizar ajustes gradualmente.

Quando deixa tudo para a última hora, as decisões precisam ser tomadas sob pressão.

Para uma marcenaria, alguns riscos merecem atenção especial.

1. Precificar os móveis de maneira errada

Preço não é apenas material mais mão de obra.

Também existem impostos, despesas operacionais, logística, perdas de materiais, custos financeiros e margem de lucro.

Se algum elemento dessa estrutura mudar e a marcenaria continuar utilizando a mesma fórmula de precificação, existe o risco de vender um projeto acreditando que determinada margem está sendo obtida quando, na realidade, o lucro já diminuiu.

Imagine uma marcenaria que sempre trabalhou com uma margem determinada sobre os materiais.

Se os custos efetivos da cadeia mudarem e ela simplesmente continuar aplicando o mesmo percentual sem recalcular seus números, pode acontecer algo perigoso:

vender mais e lucrar menos.

Por isso, a Reforma Tributária deve também ser um convite para revisar a forma como sua marcenaria calcula preços.

2. Não entender como os fornecedores serão impactados

A reforma não afeta somente quem vende o móvel.

Ela também alcança diferentes integrantes da cadeia.

Isso significa que distribuidores, fabricantes e prestadores de serviços precisarão se adaptar.

Algumas dessas mudanças podem chegar até a marcenaria na forma de alterações nos processos comerciais, documentos fiscais e custos envolvidos nas compras.

Por isso, fornecedor não deve ser analisado somente pelo preço da mercadoria.

Cada vez mais será necessário observar a operação como um todo.

Um fornecedor organizado, atualizado e preparado para o novo ambiente tributário pode contribuir para uma relação comercial mais segura.

3. Ter problemas na emissão de notas fiscais

Este é um ponto particularmente importante para 2026 e 2027.

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS divulgaram um cronograma específico para adaptação dos documentos fiscais eletrônicos à Reforma Tributária.

Para contribuintes do Simples Nacional, documentos como NF-e, NFC-e, CT-e e NFS-e deverão contemplar as novas exigências a partir de 1º de janeiro de 2027, e a publicação dos leiautes está prevista para 1º de setembro de 2026.

Para uma marcenaria, isso significa que existe uma pergunta simples que precisa ser feita:

o sistema que minha empresa utiliza está sendo preparado para essas mudanças?

Descobrir somente na hora de emitir uma nota que o sistema não está atualizado pode causar transtornos.

A recomendação é conversar com o contador e com o fornecedor do sistema utilizado pela empresa antes que a obrigatoriedade chegue.

4. Não entender o impacto do novo sistema de créditos

IBS e CBS trazem uma lógica de tributação que dá ainda mais relevância ao sistema de créditos ao longo da cadeia.

Isso pode parecer uma discussão exclusivamente contábil.

Não é.

Dependendo da operação, entender como os créditos funcionam pode influenciar a relação com fornecedores e também com clientes empresariais.

Uma marcenaria que atende consumidores finais pode possuir uma dinâmica.

Outra que trabalha frequentemente para construtoras, incorporadoras, lojas, escritórios ou outras empresas pode ter outra realidade.

É por isso que copiar o planejamento tributário de outra marcenaria não necessariamente funciona.

O impacto precisa ser analisado de acordo com a realidade de cada negócio.

5. Deixar para mudar os processos na última hora

A adaptação tributária não acontece somente dentro de uma planilha.

Pode envolver:

  • sistemas;
  • emissão de notas;
  • cadastro de produtos;
  • formação de preços;
  • contratos;
  • organização financeira;
  • comunicação com fornecedores;
  • acompanhamento contábil.

A própria Receita Federal reconhece a necessidade de preparação e capacitação para o novo modelo e vem promovendo iniciativas específicas para orientar profissionais e contribuintes diante das novas exigências.

Para o marceneiro, a lógica deve ser a mesma.

Quanto antes começar a entender, menor será a necessidade de correr depois.

6. Perder margem sem perceber

Talvez este seja um dos maiores riscos para o pequeno empresário.

Uma marcenaria pode continuar movimentada.

Pode continuar recebendo pedidos.

Pode continuar comprando MDF e produzindo móveis.

E, ainda assim, estar ganhando menos.

Se o empresário não acompanha custos, impostos, compras e margem, pequenas alterações podem passar despercebidas.

A Reforma Tributária torna ainda mais importante uma pergunta que toda marcenaria deveria responder:

quanto realmente sobra de cada projeto depois que todos os custos são considerados?

Se essa resposta não está clara hoje, este é um ótimo momento para começar a organizar os números.

7. Acreditar que estar no Simples Nacional significa não precisar se preocupar

Outro erro possível é pensar:

“Minha marcenaria é do Simples Nacional, então a Reforma Tributária não vai me atingir.”

O Simples Nacional continua existindo.

Mas isso não significa que empresas enquadradas nele possam ignorar as mudanças.

O cronograma de implementação dos documentos fiscais mostra justamente que os contribuintes do Simples também precisarão se adaptar às novas exigências relacionadas ao IBS e à CBS.

Além disso, mesmo que determinada obrigação tenha um tratamento específico dentro do regime, fornecedores e clientes da marcenaria também estarão passando pela transição.

A empresa está dentro de uma cadeia.

E mudanças na cadeia chegam ao negócio.

Como o marceneiro pode começar a se preparar?

O primeiro passo não é decorar nomes de impostos.

É começar a fazer as perguntas certas.

Converse com o contador sobre o impacto da Reforma Tributária na sua empresa.

Pergunte ao fornecedor do seu sistema sobre atualização das notas fiscais.

Revise como você calcula o preço dos projetos.

Acompanhe o custo dos principais materiais.

Entenda a margem real dos trabalhos.

Observe como seus fornecedores estão se preparando.

E acompanhe informações de fontes confiáveis.

Preparação não significa prever exatamente todos os impactos que ocorrerão nos próximos anos.

Significa não começar essa discussão somente quando a mudança já estiver acontecendo dentro da empresa.

A GMAD quer estar ao lado do marceneiro também nesse processo

A GMAD acredita que estar próxima do marceneiro vai muito além de oferecer produtos, serviços e soluções para a marcenaria.

Significa também contribuir para que esses profissionais tenham acesso a informações que possam ajudá-los a administrar melhor seus negócios e tomar decisões mais conscientes.

É por isso que a GMAD vem buscando traduzir a Reforma Tributária para a realidade da marcenaria, levando conteúdos mais simples, objetivos e aplicáveis ao dia a dia.

O objetivo não é substituir o trabalho do contador nem oferecer orientação tributária individualizada.

É ajudar o marceneiro a entender quais assuntos merecem atenção e quais perguntas precisam começar a fazer parte da gestão da empresa.

Ao longo desse processo, temas como:

IBS e CBS, formação de preços, notas fiscais, fornecedores, enquadramento tributário, custos e planejamento financeiro

farão parte dos conteúdos desenvolvidos para apoiar o setor.

Porque uma mudança desse tamanho não deve ser acompanhada apenas quando passa a gerar uma obrigação.

Informação também é preparação.

Reforma Tributária: quem começa a se preparar agora reduz os riscos depois

A Reforma Tributária será implementada gradualmente.

Isso é uma vantagem para quem decidir utilizar esse período para aprender e se organizar.

O marceneiro não precisa ter todas as respostas hoje.

Mas precisa começar a fazer as perguntas.

Como a reforma afeta meus custos?

Meu sistema está preparado?

Minha precificação está correta?

Meu enquadramento faz sentido?

Meus fornecedores estão preparados?

Minha margem está protegida?

Essas perguntas ajudam a transformar um assunto que parece complexo em ações práticas.

E esse é justamente o caminho que a GMAD busca construir ao lado do marceneiro:

informar para preparar, preparar para decidir melhor e decidir melhor para fortalecer a marcenaria.

Porque o maior risco da Reforma Tributária não é simplesmente a mudança.

É perceber que precisava ter se preparado quando ela já chegou ao seu negócio.

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